Contra o fatalismo na educação inclusiva: narrativas de uma mãe atípica e a função social da escola
Resumo
Este trabalho apresenta resultados parciais de uma pesquisa de mestrado em andamento e analisa a função social da escola na perspectiva da educação inclusiva a partir de uma investigação narrativa com uma mãe atípica que também atua como gestora escolar. Fundamentado na hermenêutica narrativa de Ricoeur (1994) e na pedagogia crítico-libertadora de Freire (1987), o estudo compreende a escola como espaço dialógico de produção de sentidos, reconhecimento das vidas historiadas e enfrentamento do fatalismo ideológico. Metodologicamente, adota-se a pesquisa narrativa, com produção de dados por meio de conversas narrativas realizadas em ambiente virtual, posteriormente transcritas e textualizadas. A análise evidencia a persistência de práticas capacitistas e de um fatalismo pedagógico que naturaliza a exclusão ao deslocar para o aluno e sua família a responsabilidade pela adaptação escolar. Em contraposição, os resultados indicam que a efetivação da inclusão requer a transformação institucional das práticas pedagógicas, a escuta das famílias e o reconhecimento da diferença como dimensão constitutiva da experiência educativa. Argumenta-se que a escola cumpre sua função social quando se constitui como território narrativo de justiça social, promovendo autonomia, participação e dignidade humana.
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