Vozes que Contam: escrevivências em uma oficina de Educação Matemática
Resumo
Este trabalho apresenta o relato da oficina Vozes que contam, realizada presencialmente durante a 12ª edição do evento Matemática na Urca (MatUrca), na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), com a participação de dez integrantes do curso de Licenciatura em Matemática. A atividade teve como objetivo promover reflexões sobre desigualdades sociais e raciais por meio da articulação entre literatura afro-brasileira e dados estatísticos, explorando possibilidades interdisciplinares no ensino de matemática, em uma perspectiva crítica e decolonial. A proposta tomou como referência a obra Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves, e o conceito de escrevivência formulado por Conceição Evaristo, compreendendo a escrita e a oralidade como formas de expressão de experiências históricas e coletivas de resistência. Metodologicamente, a oficina foi organizada em quatro momentos: abertura sensível com compartilhamento de referências culturais, roda de leitura e escuta de trechos literários, análise de dados estatísticos relacionados à presença de mulheres negras na educação e produção de poemas-dados inspirados nas discussões realizadas. Durante a oficina, emergiram relatos sensíveis das pessoas participantes sobre experiências de desigualdade vividas em contextos periféricos, ampliando o debate sobre o papel da escola e do professor de matemática diante dessas realidades. A experiência evidenciou o potencial de práticas pedagógicas que integram literatura, estatísticas e expressão poética para a construção de uma educação matemática mais crítica, sensível e comprometida com a justiça social.
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