Quando a Matemática atravessa Fronteiras: sobre aprender, existir e contar o mundo.
Palavras-chave:
Fonteira, Aprendizagem Situada, Educação Matemática, InterseccionalidadeResumo
Este texto se constitui como um fragmento de uma pesquisa em andamento, partindo da compreensão de que viver e aprender na fronteira envolve uma complexa articulação entre espaço, identidade, língua e condições sociais. Ao longo da discussão, a fronteira é concebida não apenas como limite geográfico, mas como um espaço de encontro, tensão e produção de modos específicos de existência e aprendizagem. A análise evidencia que os processos educativos, especialmente no campo da matemática, não podem ser compreendidos sem que se leve em conta o contexto no qual eles acontecem. Ou seja, o ensino de matemática não pode ser tomado de forma isolada ou neutra. A aprendizagem é atravessada por experiências cotidianas, práticas culturais e pela negociação constante entre diferentes formas de conhecimento, muitas vezes não reconhecidas pela escola. Ao mobilizar a noção de interseccionalidade, o texto destaca como sistema de poder produzem experiências distintas na fronteira, no caso da pesquisa, na fronteira do Brasil com o Paraguai. Na pesquisa aqui relatada, investigamos um processo formativo no qual professores de Matemática refletem sobre questões de gênero, raça, classe social, linguagens e território. Pensar a formação do professor de matemática neste contexto, pode servir para questionar a neutralidade da Matemática e promover práticas em sala de aula que permitam compreender dinâmicas educacionais mais amplas, apontando para a necessidade de práticas pedagógicas que reconheçam a diversidade e valorizem os conhecimentos construídos pelos sujeitos em seus contextos de vida.
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