JORNADA PARA SI: NARRATIVAS DE MULHERES, SILÊNCIOS E A EDUCAÇÃO INCLUSIVA NA MATEMÁTICA
Resumo
Este artigo é uma travessia. Nasce da "jornada para si" de uma licencianda em Matemática que, ao revisitar sua própria trajetória - da medalha na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) às rodas de conversa com colegas mulheres -, se depara com uma ferida: o apagamento sistemático das mulheres que formam professoras e professores de Matemática no Brasil. Inspirada por Passeggi (2011; 2021), para quem narrar é reinventar-se, e por autoras como Perrot (2007) e Scott (1996), que denunciam a exclusão feminina dos espaços de conhecimento, este estudo pergunta: como as formadoras de professores de Matemática têm suas trajetórias representadas (ou não) na produção acadêmica brasileira? Para respondê-la, realizamos um mapeamento na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD) com os descritores "Identidade profissional", "Formação de Professores de Matemática" e "Formadoras". De 67 trabalhos iniciais, apenas 9 compuseram o corpus final - e desses, somente 2 colocam as mulheres no centro. O silêncio dos outros 65 não é vazio: é dado. Revela uma estrutura acadêmica que ainda opera pela exclusão epistêmica. Ao escavar essas ausências, o estudo aponta que a educação inclusiva na Matemática não se faz apenas com acesso, mas com escuta - escuta das vozes silenciadas, das histórias soterradas, das trajetórias que lutam pelo existir.
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