Notação científica e leitura crítica do mundo: uma proposta para pensar diferença e inclusão na Educação Matemática
Resumo
Este trabalho tem por objetivo analisar uma prática pedagógica desenvolvida com estudantes do 8º ano do Ensino Fundamental, das redes pública e privada, buscando compreender em que medida a articulação entre matemática e questões sociais pode favorecer movimentos de leitura do mundo para diferentes grupos, em diálogo com uma perspectiva ampliada de Educação Matemática Inclusiva. A atividade foi estruturada a partir da análise de diferentes informações, como distâncias astronômicas, medidas microscópicas e dados populacionais, com a intenção de compreender grandezas extremamente grandes ou pequenas em articulação com seus significados sociais. Em seguida, foi retomada a ideia de potenciação e radiciação, articulada à área de figuras planas. Na etapa final, as alunas e os alunos foram convidados a analisar e problematizar dados relacionados à população, consumo de água e vulnerabilidade social, discutindo as percepções geradas quando os números passam a representar vidas, desigualdades, disputas de territórios e exclusões. A atividade evidenciou que o ensino de matemática pode ultrapassar uma abordagem meramente procedimental, favorecendo a produção de sentidos, a participação das(os) estudantes e o debate sobre inclusão. Os resultados indicam a emergência de movimentos de leitura crítica do mundo, ainda que de forma desigual entre os grupos. Assim, defende-se a importância de uma prática pedagógica em que o ensino de conceitos matemáticos esteja articulado à leitura crítica da realidade social por meio da matemática.
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