"Eu evito falar”: narrativas de meninas e mulheres com AH/SD e a exclusão na Matemática

Autores

  • Déborah Liz Rodrigues de Souza UFMS Autor
  • Fernanda Malinosky Coelho da Rosa UFMS Autor

Palavras-chave:

Altas habilidades/superdotação, genero, narrativas

Resumo

Este artigo deriva de uma dissertação de mestrado que investigou o percurso de formação e inclusão de estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação (AH/SD) no ensino superior, focalizando, neste recorte, as experiências de meninas e mulheres. O estudo tem como objetivo compreender como essas estudantes vivenciam processos de reconhecimento, pertencimento e exclusão em suas trajetórias acadêmicas, especialmente no campo das ciências exatas, historicamente marcado por desigualdades de gênero. A pesquisa, de abordagem qualitativa e caráter narrativo, fundamenta-se em entrevistas semiestruturadas, cujas narrativas foram analisadas à luz da Educação Matemática, dos estudos de gênero e da área de AH/SD. Adota-se a perspectiva de Clandinin e Connelly, compreendendo a narrativa como fenômeno e método, permitindo acessar os sentidos produzidos pelas participantes sobre suas experiências. Teoricamente, o estudo dialoga com a concepção de superdotação proposta por Renzulli, que a entende como a interseção entre habilidades acima da média, criatividade e envolvimento com a tarefa, além de considerar contribuições de autores brasileiros e documentos oficiais que reconhecem a pluralidade dessas manifestações. Os resultados evidenciam que, apesar de integrarem o público-alvo da Educação Especial, meninas e mulheres com AH/SD enfrentam processos de invisibilização, estereótipos e barreiras institucionais, intensificados por construções sociais que associam a Matemática a atributos masculinos. Conclui-se pela necessidade de políticas e práticas educacionais que promovam equidade de gênero e valorizem a diversidade de talentos no ensino superior.

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Publicado

2026-09-08