Educação básica

o uso de tecnologias assistivas no ensino de matemática para estudantes cegos

Autores

10.37001/emr.v30i89.4458

Resumo

Este artigo analisa criticamente os desafios e as possibilidades do uso de tecnologias assistivas no ensino de matemática para pessoas com deficiência visual, sob a perspectiva da educação inclusiva. Por meio de uma revisão bibliográfica narrativa, articulam-se três eixos fundamentais: a formação docente voltada a práticas inclusivas, a importância de políticas públicas que garantam infraestrutura e capacitação continuada e o potencial pedagógico de ferramentas tecnológicas para a aprendizagem matemática. Inicialmente, evidencia-se que a mera disponibilidade tecnológica não assegura a inclusão. É necessário um esforço sistêmico que envolva formação específica, adequação curricular e compromisso institucional. O trabalho também incorpora, de forma reflexiva, a experiência vivida por um dos autores na educação básica, que é cego, reforçando a urgência de práticas pedagógicas que superem barreiras atitudinais e metodológicas. Conclui-se, apontando caminhos para futuras pesquisas e intervenções no campo da educação matemática inclusiva, destacando a necessidade de maior integração entre tecnologia, didática e políticas públicas.

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Biografia do Autor

  • Leandro Dias Alcolumbre da Silva, Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará

    Graduado em Direito (ESMAC); Especialista em Didática e Prática na Educação Básica (UNIFESSPA).

  • Walber Christiano Lima da Costa, Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará

    Diretor da Faculdade de Ciências da Educação (FACED/ICH/UNIFESSPA). Doutor e Mestre em Educação em Ciências e Matemáticas (PPGECM/IEMCI/UFPA). Professor do Mestrado em Educação Inclusiva (PROFEI-UNIFESSPA); Professor no Programa Nacional de Mestrado Profissional em Ensino de Física (MNPEF) - Polo 29 Unifesspa. Vice-Coordenador do MNPEF - Polo 29 Unifesspa Pesquisador nos seguintes grupos cadastrados no CNPq: Grupo de Estudos e Pesquisas em Surdez e Ensino de Matemática - GEPSEM - UNESPAR; Grupo de Estudos de Linguagem Matemática - (GELIM/UFPA); Grupo de Pesquisa em Educação de Surdos: Políticas de Inclusão, Educação Bilíngue, Práticas Pedagógicas, Contextos de Ensino e Formação de Professores (GPES/UNIFESSPA); Grupo de Pesquisas e Estudos em Formação de Professores e Práticas Educativas (UNIFESSPA). Especialista em: Alfabetização e Letramento, Língua Brasileira de Sinais - Libras, Metodologia do Ensino de Matemática, Educação Especial e Educação Inclusiva e em Técnicas de Tradução e Interpretação em Língua Brasileira de Sinais - Libras/Língua Portuguesa. Graduado em Licenciatura Plena em Pedagogia (UEPA). Graduado em Licenciatura em Matemática. Bacharel em Letras/Libras (UFSC). Possui Certificação em Proficiência em Tradução e Interpretação da Libras/Língua Portuguesa/Libras pelo PROLIBRAS (MEC/INEP - UFSC). Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Educação Especial, Educação Matemática e Formação de Professores, atuando principalmente nos seguintes temas: Linguagem Matemática, Educação Inclusiva, Educação Especial, Educação de Surdos, Ensino de Matemática, Ensino de Matemática para surdos, Tradução da Linguagem Matemática para alunos surdos, Língua Brasileira de Sinais- Libras, Tradução e Interpretação da Libras e processos psicológicos no ensino e na aprendizagem, Educação Matemática Inclusiva.

  • Paulo Vilhena da Silva, Universidade Federal do Pará

    Doutor em Educação em Ciências e Matemáticas (área de concentração: Educação Matemática) (UFPA, 2016). Mestre em Educação em Ciências e Matemáticas (área de concentração: Educação Matemática) (UFPA, 2011). Possuo graduação em Licenciatura Plena em Matemática (UFPA, 2008). Sou professor efetivo do Instituto de Ciências Exatas e Naturais (UFPA), atuando na Licenciatura em Matemática e no Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional (PROFMAT). Credenciado no Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemáticas (PPGECM/UFPA) e no Programa de Doutorado em Educação em Ciências e Matemática (PPGECEM/UFPA). Líder do Grupo de Estudos e Pesquisas em Linguagem Matemática (GELIM) (IEMCI/UFPA) e membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Ensino e Educação Matemática (GEEM) (ICEN/UFPA). Atualmente venho pesquisando a respeito das influências da linguagem no ensino da Matemática e dedico-me à leitura das obras do filósofo Ludwig Wittgenstein.

  • Ana Lucia Manrique, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

    Possui graduação em Matemática pela Universidade de São Paulo (1987), mestrado em Ensino de Matemática (1994), doutorado em Educação (Psicologia da Educação) (2003) e Livre Docente (2022), todos pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e Pos-Doutorado no Programa de Pós-graduação em Educação da PUC/RJ (Pós-Doc Júnior CNPq) (2008). Pesquisadora Produtividade em Pesquisa do CNPq (2016-2018) e (2019-2021) e (2022-2024). Participou do Comitê Científico da SBEM-SP (2014-2017) e (2020-2023). É professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Atualmente, é Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática da PUC-SP (2020-2022) e (2022-2023). Atuou como pesquisadora no projeto aprovado no edital dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia do MCT/CNPq/FNDCT/CAPES/FAPEMIG/FAPERJ/FAPESP. Coordenou projeto aprovado no Observatório da Educação, edital 2010 e participou como pesquisadora do projeto aprovado no Observatório da Educação, Capes, edital 2008 e 2012. Coordenou projeto aprovado no edital 44/2014 do Programa de Apoio à Formação de Profissionais no campo das Competências Socioemocionais. Coordenou localmente projeto aprovado no edital 59/2014 no Programa Tecnologia Assistiva no Brasil e Estudos sobre Deficiência, projeto em rede entre UFRJ, PUC/SP e UNIVAP. Pesquisa sobre os seguintes temas: Formação de professores que ensinam matemática, Formadores de professores, Saberes docente, Trabalho docente, Mapas conceituais, Cálculo Diferencial e Integral, Educação Matemática Inclusiva.

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Publicado

2025-12-21

Como Citar

Educação básica: o uso de tecnologias assistivas no ensino de matemática para estudantes cegos. (2025). Educação Matemática Em Revista, 30(89), 1-18. https://doi.org/10.37001/emr.v30i89.4458